As vacinas de RNA mensageiro, como algumas das usadas contra a covid-19, levam para dentro das células uma receita: um mRNA com as instruções para fabricar uma proteína do vírus — no caso do SARS-CoV-2, a proteína da espícula (spike). A célula lê essa receita, produz a proteína, e o sistema imune aprende a reconhecê-la. Se o vírus de verdade aparecer depois, o corpo já está preparado.

Por que ela não mexe no DNA
- Lugares diferentes. O DNA fica guardado no núcleo da célula. O mRNA da vacina é lido no citoplasma, pelos ribossomos, e não entra no núcleo.
- Direção da informação. Na célula, a informação vai do DNA para o RNA e depois para a proteína. Para virar DNA, um RNA precisaria de uma enzima especial, a transcriptase reversa — a mesma que a RT-qPCR usa no laboratório. A vacina não traz essa enzima.
- Vida curta. O mRNA é uma molécula frágil. Depois de usado para fabricar a proteína, ele é degradado pela célula. É por isso que a vacina precisa de uma cápsula de gordura, a nanopartícula lipídica, para chegar inteira às células.
Um Nobel por trás da vacina
Por muito tempo, o mRNA feito em laboratório provocava inflamação e era destruído rápido demais para servir como vacina. Katalin Karikó e Drew Weissman descobriram que pequenas modificações químicas nas bases do RNA resolviam o problema. A descoberta tornou possíveis as vacinas de mRNA contra a covid-19 e rendeu aos dois o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2023.
Fontes
Centers for Disease Control and Prevention (CDC). COVID-19 Vaccine Basics. cdc.gov/covid/vaccines/how-they-work.html
The Nobel Prize in Physiology or Medicine 2023 — press release. nobelprize.org/prizes/medicine/2023/press-release
Alberts, B., Heald, R., Johnson, A., Morgan, D., Raff, M., Roberts, K., & Walter, P. (2022). Molecular biology of the cell (7th ed.). W. W. Norton & Company.