
extração de dna
Tirando o DNA de dentro da célula
Entenda como processos químicos e físicos rompem barreiras para isolar a “receita da vida” e permitir avanços na medicina e biotecnologia
POR THABATA OLIVEIRA | 02/04/2026

A primeira vez que alguém conseguiu isolar o DNA foi em 1869. O médico suíço Friedrich Miescher extraiu uma substância, que chamou de “nucleína”, a partir de glóbulos brancos presentes em pus coletado de curativos descartados. Ele observou que essa substância se dissolvia em meio alcalino e precipitava na presença de ácido, um comportamento químico que a distinguia de outras moléculas conhecidas na época.
Desde então, a extração de DNA se tornou o ponto de partida para praticamente tudo em biologia molecular: sequenciamento genético, testes diagnósticos, estudos evolutivos e engenharia genética. Sem DNA puro, nenhum desses processos funciona de forma confiável.
Hoje, existem diversos métodos de extração de DNA, e a escolha depende do tipo de amostra, do objetivo da análise e do nível de pureza necessário.
O que significa extrair DNA?
Extrair DNA é separar essa molécula de todos os outros componentes celulares, como proteínas, lipídios, carboidratos e outros ácidos nucleicos.
De forma geral, qualquer protocolo eficiente precisa cumprir três etapas fundamentais: quebrar → limpar → isolar.
1. Quebrar as células (lise)

As células são abertas para liberar o conteúdo interno
A lise celular pode ser realizada por diferentes métodos, como ruptura mecânica (força física), uso de detergentes que dissolvem a membrana, enzimas que degradam componentes celulares ou agentes químicos que desestabilizam estruturas e liberam o DNA.
2. Remover proteínas e contaminantes

Proteínas, lipídios e outros componentes celulares precisam ser separados do DNA
Essa etapa pode ser feita por métodos como extração com solventes orgânicos, precipitação química ou purificação em colunas, que separam o DNA das demais moléculas com base em suas propriedades físicas e químicas.
3. Isolar o DNA

O DNA é precipitado ou capturado e então purificado
O DNA pode ser isolado e purificado por técnicas como precipitação com álcool, ligação a matrizes sólidas como sílica ou captura por partículas magnéticas, que permitem separar o DNA das impurezas e recuperá-lo em forma estável para análise.
Automação
A extração de DNA evoluiu de um processo lento, manual e trabalhoso para sistemas automatizados, de alto rendimento e com menor risco de contaminação. Atualmente, equipamentos são capazes de processar múltiplas amostras com mínima intervenção humana, o que aumenta a reprodutibilidade, a velocidade e a segurança dos resultados.
Tan, S. C., & Yiap, B. C. (2009). DNA, RNA, and protein extraction: The past and the present. Journal of Biomedicine and Biotechnology, 2009, 574398. https://doi.org/10.1155/2009/574398