DNA ou proteína:

quem carrega a hereditariedade?

Ao marcar DNA e proteínas de bacteriófagos com substâncias radioativas, Hershey e Chase mostraram que apenas o DNA entra nas bactérias e controla a produção de novos vírus

2 minutos

Em 1952, o trabalho de Alfred Hershey e Martha Chase forneceu uma nova evidência experimental em favor do DNA como material hereditário.

Martha Cowles Chase e Alfred Day Hershey, 1953

O estudo foi realizado com o bacteriófago T2, um vírus que infecta bactérias como Escherichia coli.

Hershey e Chase trabalhavam no Cold Spring Harbor Laboratory, em Nova Iorque, onde os bacteriófagos eram amplamente utilizados como modelo experimental para investigar hereditariedade.

Cold Spring Harbor Laboratory, Nova York.

A diferença química explorada

O experimento baseou-se em uma distinção química simples, mas decisiva:

  • O DNA contém fósforo, mas não enxofre.
  • Muitas proteínas contêm enxofre, mas não fósforo.

Com base nisso, os pesquisadores produziram duas populações de vírus:

  1. Vírus com DNA marcado com fósforo radioativo (³²P)
  2. Vírus com proteínas marcadas com enxofre radioativo (³⁵S)

Esses marcadores permitiam rastrear separadamente o destino do DNA e das proteínas virais durante a infecção.

O desenho experimental

Cada grupo de vírus foi utilizado para infectar culturas de E. coli.

Após a infecção , quando o vírus já havia transferido seu material genético para a bactéria, as culturas foram agitadas em um liquidificador. Esse passo era crucial para desfazer as ligações das capas proteicas virais vazias às paredes das bactérias.

Em seguida, as amostras eram centrifugadas para separar:

  • Precipitado (pellet) → contendo as bactérias
  • Sobrenadante → contendo as cápsides virais vazias

A radioatividade era então medida em cada fração.

O que os resultados indicaram

Quando o DNA viral estava marcado com ³²P:

  • A radioatividade era detectada no precipitado, ou seja, dentro das bactérias.
  • O marcador também aparecia nos novos vírus produzidos

Quando apenas as proteínas estavam marcadas com ³⁵S:

  • A radioatividade permanecia no sobrenadante, ou seja, associada às capas descartadas.
  • Não era detectada no interior das células nem nos vírus recém-formados.

Essas observações indicaram que é o DNA do vírus — e não suas proteínas — que entra na bactéria e direciona a produção de novas partículas virais.

Importância no contexto da época

O experimento de 1952 foi realizado poucos anos após o estudo de Avery, MacLeod e McCarty. Enquanto o trabalho de 1944 havia demonstrado que o DNA era o princípio transformante em bactérias, o experimento de Hershey e Chase mostrou que, em vírus, o DNA também era o componente responsável pela transmissão da informação biológica.

O conjunto dessas evidências fortaleceu a interpretação de que o DNA é o material genético.

Primeira página do artigo de Hershey e Chase, 1952, “Funções independentes da proteína viral e do ácido nucleico no crescimento do bacteriófago”.

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