O experimento de Avery, MacLeod e McCarty

Ao remover seletivamente proteínas, RNA e outras moléculas de extratos bacterianos, Avery, MacLeod e McCarty demonstraram que apenas a degradação do DNA impedia a transformação bacteriana

3 minutos

Em 1944, Oswald Avery, Colin MacLeod e Maclyn McCarty publicaram um estudo no qual demonstraram que o DNA corresponde ao “princípio transformante” descrito anos antes por Frederick Griffith.

Griffith havia mostrado que um componente de bactérias do tipo S podia ser transferido para bactérias do tipo R, conferindo-lhes a capacidade de produzir cápsula e causar doença. No entanto, ele não identificou qual molécula era responsável por essa transformação.

A questão que Avery e seus colegas buscaram responder foi direta: qual é a natureza química do princípio transformante?

Avery, ca. 1950. Fonte: National Library of Medicine.

Como o experimento foi feito

Os pesquisadores prepararam um extrato a partir de bactérias S (virulentas) mortas pelo calor. Esse extrato continha diferentes tipos de moléculas celulares: proteínas, lipídios, polissacarídeos, RNA e DNA.

Em seguida, dividiram o material em amostras e trataram cada uma com enzimas ou reagentes capazes de remover seletivamente determinados componentes:

  • Proteases → degradavam proteínas
  • RNases → degradavam RNA
  • Tratamentos químicos → removiam lipídios e polissacarídeos
  • DNase → degradava DNA

Após cada tratamento, o extrato era adicionado a culturas de bactérias R, e observava-se se a transformação ainda ocorria. Nesse período, a transformação já podia ser realizada in vitro, sem a necessidade de animais.

O que foi observado

A transformação continuava ocorrendo quando proteínas, lipídios, polissacarídeos ou RNA eram removidos.

Entretanto, quando o DNA era degradado por DNase, a transformação deixava de acontecer.

A partir desses resultados, os autores concluíram que o DNA era o componente necessário para a transferência da característica hereditária entre as bactérias.

O trabalho foi publicado em 1944 no Journal of Experimental Medicine.

Primeira página do artigo publicado por Avery, MacLeod e McCarty, 1944, “Estudos sobre a natureza química da substância indutora da transformação de tipos pneumocócicos”.

Recepção e contexto

Apesar das evidências experimentais, a conclusão não foi imediatamente aceita por toda a comunidade científica. Muitos pesquisadores ainda consideravam as proteínas candidatas mais prováveis ao papel de material hereditário, em parte devido à sua maior diversidade estrutural.

Além disso, como o estudo envolvia bactérias, alguns questionavam se o mesmo princípio se aplicaria a outros organismos.

Nos anos seguintes, novos experimentos — incluindo o trabalho de Alfred Hershey e Martha Chase em 1952 — reforçaram a conclusão de que o DNA é o material genético.

O estudo de 1944, portanto, representou uma etapa importante na consolidação dessa ideia.


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